Contabilidade para médicosContabilidade para médico residente

O médico residente não precisa de CNPJ para receber a bolsa, que é isenta de imposto de renda. O CNPJ passa a fazer sentido quando há plantões extras frequentes: como PJ no Simples Nacional, a carga pode ficar perto de 9% da receita, contra cerca de 17% recebendo como pessoa física por RPA.

Atualizado em Por equipe KOOCHER Contabilidade Médica

A bolsa de residência paga imposto de renda?

Não. O parágrafo único do art. 26 da Lei nº 9.250/1995 determina que a bolsa de estudo do médico residente não caracteriza contraprestação de serviços, o que garante a isenção de imposto de renda. Na declaração anual, ela vai na ficha de rendimentos isentos e não tributáveis.

O piso nacional da bolsa é de R$ 4.106,09 por mês, fixado pela Portaria Interministerial nº 9/2021 e vigente desde 2022. Há projetos de reajuste no Senado, mas nenhum aprovado até outubro de 2026.

A isenção é só de IR. Pela Lei nº 6.932/1981, o residente é filiado ao INSS como contribuinte individual, então há contribuição previdenciária sobre a bolsa.

Como receber os plantões extras: PF ou PJ?

Os plantões fora do programa são rendimento tributável. Há dois caminhos: receber como pessoa física, com RPA (recibo de pagamento autônomo), ou como pessoa jurídica, emitindo nota fiscal pelo CNPJ.

Exemplo com R$ 6.000,00 por mês em plantões (4 plantões de R$ 1.500,00)
ItemPF com RPAPJ no Simples (Anexo III)
INSSR$ 660,00 (11%)R$ 184,80 (11% sobre pró-labore de R$ 1.680,00)
Imposto de rendaCerca de R$ 380,00 na fonte-
DAS-R$ 360,00 (6%)
Total de tributosCerca de R$ 1.040,00 (17,3%)R$ 544,80 (9,1%)

Na PJ, o pró-labore de R$ 1.680,00 corresponde a 28% da receita, o que garante o Fator R e o Anexo III. Sem ele, a PJ cairia no Anexo V, com alíquota inicial de 15,5%. O custo de contabilidade precisa entrar na conta.

Quando vale a pena o residente abrir CNPJ?

A regra prática: quando os plantões extras são recorrentes e passam de R$ 3.000,00 a R$ 4.000,00 por mês, a economia de impostos costuma cobrir o custo da PJ. Abaixo disso, ou com plantões esporádicos, o RPA pode ser mais simples.

  • O hospital ou a escala só paga mediante nota fiscal de PJ.
  • Há mais de um hospital pagando plantões todo mês.
  • O residente quer deixar a PJ pronta para o fim da residência, quando a renda vai subir.

Antes de assumir plantões, confira as regras do seu programa de residência sobre atividades externas e carga horária. A residência é um regime de 60 horas semanais.

O que fazer em meses sem plantão?

A PJ continua existindo, mas sem receita não há DAS a pagar. Ainda assim, há obrigações acessórias: declarações mensais zeradas no PGDAS-D e a declaração anual do Simples (DEFIS).

Se o pró-labore for suspenso nesses meses, não há INSS sobre ele. Basta manter o registro correto para não perder o histórico do Fator R, que considera os últimos 12 meses.

Como a KOOCHER atende residentes?

A KOOCHER é uma contabilidade 100% digital para médicos, com atendimento em todo o Brasil e suporte via WhatsApp. A abertura da PJ não tem honorários de abertura. Para residentes, há uma condição específica: você paga a mensalidade só nos meses em que usa a PJ.

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Perguntas frequentes

Residente precisa declarar imposto de renda?

Depende dos rendimentos do ano. Rendimentos isentos acima do limite de obrigatoriedade, como a bolsa somada a outros valores, ou rendimentos tributáveis de plantões acima do limite anual já obrigam a entregar a declaração. Na prática, quase todo residente com plantões extras precisa declarar.

Posso ser sócio de uma PJ durante a residência?

Sim. A Lei nº 6.932/1981 não proíbe o residente de ter empresa. O ponto de atenção são as regras do programa sobre carga horária e atividades externas, que variam entre instituições.

Residente pode ser MEI?

Não. A medicina não está entre as ocupações permitidas ao MEI, por ser profissão regulamentada. O caminho é uma sociedade limitada, que pode ter um único sócio, normalmente no Simples Nacional.

A bolsa conta para o Fator R ou para o faturamento da PJ?

Não. A bolsa é paga à pessoa física pela instituição do programa e não passa pela PJ. Só os plantões faturados com nota fiscal entram na receita da empresa e no cálculo do Fator R.

E se eu abrir a PJ e depois parar de fazer plantões?

A empresa pode ficar sem movimento e, mais tarde, ser baixada. Na KOOCHER, PJ sem emissão de notas por 3 meses consecutivos passa a custar R$ 90,00 por mês.

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Fontes e legislação